O poder do humor

Para que rimar amor com dor? Mora na filosofia já cantou Caetano Veloso…onde está sua alegria? Você tem bom humor? Sabe dar risada? Tem espontaneidade?
É crivo diagnóstico na atualidade, na constatação da saúde mental, a observação da alegria, leveza, suavidade de um indivíduo. Tem equilíbrio mental quem sabe dar risada, tem e mantem sua alegria mesmo nas adversidades da vida. Quem tem humor e o sabe apreciar tem ampla capacidade de lidar com o simbólico, com as metáforas e abstrações do inconsciente, lida melhor com resolução de problemas, torna ambientes mais agradáveis.

Machado de Assis, Carlos Drummond de Andrade, Fernando Sabino, Nelson Rodrigues, João Bosco e Aldir Blanc, Chico Buarque de Holanda, Vinícius de Moraes, , e vários outros grandes nomes das artes, poesia, literatura tem vertente humorística, se enveredando no humor por vezes ácido como crítica social. Dom Quixote de Cervantes é o livro mais lido na história da humanidade, um deboche, uma comedia que ironicamente criticava a era feudal de uma forma genial.

Todavia hoje em dia várias pessoas criticam o humor, a alegria, o deboche querendo uma vida politicamente correta. Vários críticos do humor estão dominados pela Persona que está rígida, não tem leveza, suavidade. Vi vários críticos de humor vivendo de caras e bocas, com ar de gente séria, ao estilo do fariseu, delegando tratados e mais tratados de seriedade, e com isso adoecendo irremediavelmente, em um empobrecimento psíquico traduzido por uma rigidez patológica. Particularmente evito gente séria… são os que me dão tédio… aprecio quem sabe rir, quem tem suavidade e leveza e alma livre…
Humor exige inteligência para sua compreensão, coisa que na atualidade nem todo tem. Em especial pelo analfabetismo funcional vigente no qual a capacidade de leitura e compreensão das narrativas está comprometida.

Pessoas extremamente adoecidas psiquicamente não dão risada. Já atendi mais de 15 mil pacientes com depressão e quase todos tinham essa característica, haviam perdido sua capacidade de rir. E a risada tem um componente mágico na elaboração dos problemas. Adoro rir das bobagens que fiz e faço e com alegria é possível ir resolvendo os problemas diários de uma forma mais tranquila.

Infelizmente na área de saúde ocorre o congelamento da alegria, e vários profissionais aprendem que tem de ter cara séria, a ser frios, a não brincar. Um problema psicológico que vai custar caro. Congelando a espontaneidade, amplia se a neurose, o ego inflaciona e várias doenças mentais ampliam. Não é à toa que casos de transtorno de ansiedade, depressão e suicídio ocorrem em maior número entre profissionais de saúde A falta de espontaneidade compromete a aliança terapêutica a relação médico paciente. Mas por qual motivo não é permitido ao profissional de saúde ser espontâneo? No que isso colaborou nos últimos anos com a crise de falta de empatia na área de saúde? Cansei de ouvir pacientes reclamarem de profissionais frios sem empatia, sem alegria, sem humanidade. Tais profissionais não vão ter pacientes que vão os evitar…para que conviver ou pagar os serviços de alguém frio, com cara fechada, azedo?

Gosto de lembrar que quem tem cara amarrada está com problema psicológico.
Ao ler a biografia dos grandes criadores das abordagens na psicologia podemos notar que Freud foi um debochado, dando a devida importância ao humor nos chistes descritos na psicopatologia da vida cotidiana- obra em que inaugura a psicanálise; Jung era conhecido por seus jantares divertidos; Moreno pelas brincadeiras na praça, … o humor é necessário a vida. Lamentavelmente os seguidores de várias destas abordagens perderam sua alegria, tornando se rígidos, críticos demais, chatos, adoecendo psiquicamente. Por que? O que se ganha com isso?

Para manter o equilíbrio mental na dificuldade diária é necessário viver o lado positivo do arquétipo da criança. Cultivar a alegria e a espontaneidade. Evitar pessoas críticas especialistas em censurar a alegria alheia afim de justificar sua neurose. Cultive sua inteligência dedicando se ao humor…

Jorge Antônio Monteiro de Lima
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