Era das transformações resquícios da pandemia

Era das transformações resquícios da pandemia
É interessante ficar esperto e ter cuidado. Embora os números da pandemia da covid19 tenham diminuído, os efeitos e consequências da pandemia ainda não terminaram. Na mudança do paradigma do planeta já descritos por Harari, Bauman, Maffesoli ainda temos a observação da psique coletiva apontando que o cenário é de extrema tensão Mudanças drásticas estão ocorrendo e ainda vão perdurar.
Nos próximos anos vamos ter de lidar com a crise econômica desgovernada ; o desemprego crescente ; com a péssima distribuição de renda; fome; subemprego e precariedade do trabalho; falta de comida pela crise climática; racionamento de água e energia elétrica; desvalorização da moeda; instabilidade da ideologia na política; decadência da instituição religião com a perda de sua função social; crise na instituição família; péssima representatividade política- composta por indivíduos egoístas e alienados da realidade atual; e por fim todos vamos ter de lidar com nossa saúde mental revendo o caminho de nossa individuação no meio da bagunça que não vai ser pouca. Pelo menos mais cinco anos de crise institucional com a transparência mostrando que não adianta o lobo vestir pele de cordeiro enquanto o telhado desaba.
O sonho de milhares de pessoas mostra nos que ocorre todo um cenário de confusão psíquica e afetiva; mostram que a crise está comprometendo a saúde mental das pessoas, com muitos pesadelos, sujeira- esgoto a vista- , pancadaria e a percepção de desajuste e não pertencimento. O desajuste do mundo gerando o desajuste do indivíduo que está sem lugar, alijado de si mesmo.
O efeito pós pandemia no mundo em desequilíbrio nos mostra que o desequilíbrio mental será continuo, em especial por que estamos em uma economia em ruinas. Sabemos que em decorrência da crise econômica ocorre o aumento dos casos de ansiedade, depressão, instabilidade emocional, crises afetivas, cenário em que as condições básicas de sobrevivência são arruinadas pela falência das estruturas. No caos o sofrimento é ampliado e o vale tudo se instala… pessoas em raiva ampliam seu ódio até explodirem ou implodirem. É melhor não ficar perto de quem não quer ter equilíbrio. E o mais impressionante de todo esse cenário é a alienação da classe política…
E o pior dos embates nos próximos anos é com o fanatismo ideológico, político, religioso. A psicose que se alastrou via analfabetismo funcional, que gerou milhares de pessoas sem a menor consciência crítica ou visão de realidade. Fanático que não escuta ninguém, não aprende, não tem capacidade de percepção para compreender a realidade do mundo. Fanático que já está enlouquecido transformando o tecido social a sua volta em um pano roto de chão compromete seu trabalho, vínculos de convívio, amizades e transforma a vida familiar em uma eterna guerra por que o que ele acredita está acima da opinião alheia. O fanático que é um paciente psiquiátrico não tratado vota, emite sua opinião sobre religião e política e apedreja qualquer um que ouse dele discordar. E temos mais de 30% da população brasileira fanatizada pela religião e pela política. Nos próximos anos esse fanático por seu ódio advindo do pecado mortal da idolatria terminará de enlouquecer… e vamos ver o que vai sobrar a sua volta. Família arruinada, desemprego ou negócios com lucro comprometido, limitações severas na socialização e muitos problemas judiciais.
Ainda dentro do aspecto da psicose e do fanatismo teremos de lidar com o problema do conservadorismo que pretende de forma tola que o mundo pare suas transformações. O fanático que se diz conservador vive de passado e não está consciente do que o circunda, das mudanças do tempo, vive alienado preso a seu reduto e ideais que distorcem as mudanças do mundo e a realidade. Querem que sua oratória mude a economia, o desemprego a fome…
E tudo isso virou demanda psicológica… Trabalho que não vai faltar nas próximas décadas…
Ainda infelizmente vamos ver muita gente enlouquecendo brigando tentando ser o arauto da verdade absoluta.
Por isso não é hora de relaxar, é hora de rever conceitos, aceitar mudanças do mundo em transição e se preparar por que problemas vamos ter de sobra.
Jorge Antônio Monteiro de Lima
www.almabr.com.br