O AMOR

O que você tem feito pelo seu amor? Como tem cuidado de quem está a seu lado? É companheiro dando força para o que ele gosta e faz? Se interessa por ele? Tem prazer de dividir e estar junto de suas conquistas e planos?
A solidão e a dificuldade de relacionamento são uma das maiores queixas que escutamos na prática da psicoterapia. Somos uma sociedade carente e ao mesmo tempo iludida em ser auto- suficiente. Cansei de ver como analista pessoas ditas imponderadas, ao mesmo tempo vazias de relacionamentos por causa de orgulho e vaidade. Também vi tragicamente pessoas em relacionamento competitivo- de cabo de guerra, dando coice no lugar de beijo, indiferente ao carinho de quem está ao lado minando em auto boicote um relacionamento. Lembro aqui que durante todo período da pandemia da covid19 o número de divórcios e fim de relacionamentos cresceu mais de 60%, lotando as varas de família. Vias de fato entre casais aumentaram 48%- dados obtidos junto ao judiciário do estado de Goiás e a secretaria de segurança pública. O amor virou distancia, indiferença e raiva? É assim que você tem cuidado do seu amor?
Para amar é preciso se conhecer, saber do que gosta, ter metas de vida, compreensão dos próprios afetos, ego fortalecido e identidade. Não foi à toa que C. G. Jung coloca no casamento uma prova para a Individuação- no último capítulo de sua obra O desenvolvimento da personalidade. Estar junto a alguém é luta diária, cansa, dificuldades vão ser recorrentes, mas se existir amor, se cultivar o tesão e o carinho o relacionamento perdura. Todavia muitas pessoas não sabem do que gostam, vivem instintivamente jogadas pelo destino, não aprenderam a se relacionar por profundas falhas em sua afetividade, mas por que não fizeram uma psicoterapia para estruturar sua afetividade e forma de relacionamento?
Várias pessoas sequer têm educação, não sabem receber outra pessoa, abraçar, beijar, sorrir quando o outro chega. Ao contrário hoje ser frio virou moda, no lugar da recepção amigável, uma cara de nada…”não me atrapalhe que estou vendo minha série no computador O ”… Toque fica sem graça, a cama fria, o afeto vira carência e o fim se avizinha. Piora todo este cenário quando a agressividade fica naturalizada, os elogios se transformam em ofensas ou no desmerecimento do outro. E o diálogo? Esse foi assassinado na rotina…não há tempo para falar, menos ainda para ouvir quem você diz que ama…o vídeo do tictoc é mais interessante…a carência toma conta e com isso uma certa mágoa: por que não mereço ser bem cuidado? Da carência a se interessar por outra pessoa fácil na falta o instinto vai procurar outro que lhe dê atenção, conversa, carinho e o mínimo de companheirismo, e isso não tem gênero ou orientação sexual. Bauman já nos mostrou que o amor se transformou em algo líquido nos pós modernidade, e isso deu- se pela precariedade da educação, da escuta do outro, da instabilidade da afetividade, orgulho e vaidade, e uma ilusão de que não é necessário cuidar diariamente do outro. Quando o relacionamento termina a pessoa ainda diz para todos: não sei o que eu fiz de errado, o outro é que foi vagabundo e me traiu…projetando a culpa fora das próprias falhas que cometeu…
Questione o que você tem feito pelo seu amor. Como tem cuidado de quem está perto. De atenção para quem diz amar antes de o deixar carente. O elogie e o ajude. Cuidando d quem está perto você está cuidando de você…
Jorge Antônio Monteiro de Lima
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